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ÀS DIRETORAS E NOVOS GESTORES DA ESCOLA DA VILA: Apoio aos funcionários mediante a nova composição societária da escola

ÀS DIRETORAS E NOVOS GESTORES DA ESCOLA DA VILA: Apoio aos funcionários mediante a nova composição societária da escola
  
  

 


Por que isto é importante

Os pais e amigos da Escola da Vila aqui abaixo‐assinados se solidarizam com a carta escrita pelo grupo de funcionários da escola (copiada abaixo). Apoiamos e reiteramos os valores estruturantes definidos por estes em tal documento, relativos a esta comunidade e suas necessidades imediatas.

CARTA ÀS DIRETORAS E NOVOS GESTORES DA
ESCOLA DA VILA
Prezadxs,
Frederico Affonso Ferreira
Guilherme Affonso Ferreira
Sônia Maria Barreira
Fernanda Azevedo Marques Flores
Vania Marincek
Ana Luiza Martinez do Amaral
Eva Diaz Alvarez
No dia 14 de Fevereiro de 2.017, os professores e professoras da Escola da Vila – os funcionários da administrativo uma semana depois‐, agrupados por segmentos, receberam a comunicação da nova composição societária da escola. Coube a diretora geral anunciar ao grupo a venda de uma parte importante da escola. Recebemos com surpresa tal comunicado, já que no decorrer no último ano, a diretoria não havia sinalizado tal intenção ou um risco financeiro que pudesse colocar em jogo o negócio, que é a escola. Logo após o término da última reunião, a grande mídia anunciou que os novos sócios haviam adquirido 80% das ações da escola e que as atuais gestoras administrariam os 20% restantes.
Frente à nova situação política, econômica e administrativa da Escola da Vila e de posses de poucas informações sobre os novos sócios, é que o grupo de funcionários iniciou uma pesquisa sobre o histórico público dos novos sócios, procurando compreender a escolha das diretoras e buscando conforto em acreditar que o projeto pedagógico da escola, tão caro a este grupo, estaria preservado. As publicações encontradas na rede, anexo a este documento, apresentam a intenção dos novos sócios em investir em educação desde Junho/2016 e um posicionamento a favor de uma educação liberal, contrária aos princípios e valores construídos e praticados pela Escola da Vila atualmente. Esta pesquisa gerou mais insegurança, pois não foi encontrado, em nenhum momento, algo que acalentasse esse sentimento coletivo e que demonstrasse que os novos gestores, de fato, acreditassem no tipo de trabalho desta escola.
Neste sentido, o grupo sentiu a necessidade de ampliar a discussão a todos os funcionários da escola e foram agendados encontros presenciais na tarde do dia 18 e na noite do dia 23 de Fevereiro. Com o comparecimento de cerca de 15% dos funcionários da escola em cada uma das reuniões, representando todos os setores, decidiu‐se elaborar uma carta de princípios a ser apresentada aos novos gestores, onde seriam elencados valores de máxima importância para quem trabalha nesta escola e constituir um Grupo Permanente de Discussão de Funcionários, um espaço horizontal e transparente em que se possa compartilhar informações, angústias e temores, mas também tomar decisões frente à nova relação de trabalho. O documento tem o intuito de iniciar um diálogo estruturado com os novos sócios e as diretoras.
Diante disso, o grupo de funcionários da Escola da Vila apresenta abaixo os valores estruturantes para esta comunidade e suas necessidades imediatas:
(1) Defesa dos valores do projeto político pedagógico:
(a) Uma educação construída sob os preceitos do construtivismo, inclusiva, humanista, socialmente solidária e participativa, cuja identidade se constituí em torno da defesa da diversidade e do estímulo e respeito à autonomia dos indivíduos.
(2) Transparência nas relações entre as instâncias institucionais:
(a) Abertura total do contrato feito com a Bahema: queremos saber quais são as metas do fundo de investimentos e se estas metas entram em contradição com nossos valores político‐pedagógico.
(3) Não à terceirização:
(a) Desde já, enfatizamos que não há neste projeto político pedagógico espaço para a terceirização. É impossível que o projeto de educação que almejamos e que construímos cotidianamente seja alcançado por meio da superexploração e precarização do trabalho, seja qual for a atividade (limpeza, administrativa, tecnologia, docência, coordenação, segurança, etc.).
(4) Regulação dos direitos autorais sobre a produção de material didático:
(a) A produção de material didático autoral e a reflexão didática é um dos principais valores deste projeto e compreendemos que a nova composição societária coloca a discussão sobre estes direitos em outro patamar. Queremos que a nossa produção intelectual seja garantida, reconhecida, preservada e que sua remuneração e uso sejam negociados diretamente com o coletivo de funcionários.
(5) Esclarecimento da situação do Centro de Formação:
(a) Foi‐nos comunicado que o Centro de Formação, inclusive seus débitos, foram absorvidos nesta negociação. Nesse sentido, queremos rediscutir os valores pagos aos professores formadores, seus direitos autorais e a relação de exclusividade destes professores com centro.
(b) Não assinamos nenhum contrato antes que sejam realizadas rodadas de negociação com os formadores do Centro de Formação.
(6) Isonomia salarial entre os segmentos, unidades e planos de carreira:
(a) Discussão do plano de carreira com o grupo dos funcionários, desde que se atenda a formação profissional e intelectual destes;
(b) Queremos o mesmo salário para o mesmo trabalho. Entendemos a centralidade que os primeiros anos da educação formal tem em nosso projeto político‐pedagógico e, portanto, não aceitamos mais que os funcionários dos primeiros segmentos sejam remunerados com valores abaixo dos outros segmentos. É preciso também equalizar os salários entre unidades. Não aceitaremos nenhuma estratégia de redução salarial por meio da criação de cargos e categorias especiais
(c) Profunda discussão salarial frente a nova situação e consoante ao trabalho exigido por este projeto.
(d) Construção de um plano de equiparação salarial entre os segmentos;
(7) Garantia de benefícios para além dos previstos nas convenções sindicais:
(a) Manutenção da bolsa de estudos dos filhos e filhas dos funcionários da área administrativa: queremos a garantia de que não haverá qualquer modificação nas bolsas de estudos fornecidas para os filhos e filhas de funcionários da escola. Acreditamos que as relações de trabalho que estabelecemos são fundamentais para a manutenção do nosso projeto político‐pedagógico.
(b) Equiparação dos benefícios (plano de saúde e cesta básica) de todos os funcionários aos dos professores.
(c) Construção de um alojamento digno e fim das limitações de circulação e usufruto dos espaços e equipamentos de uso comuns por todos os funcionários.
(d) Autonomia total do corpo docente na organização do currículo do Ensino Médio.
(e) Compromisso de melhoria de todas as formas de trabalho dentro da Escola e pelo direito de organização dos seus trabalhadores.Assim, solicitamos as diretoras e aos novos sócios uma reunião coletiva, com todos os funcionários da escola, reunidos num mesmo espaço, para apresentação dos novos gestores e discussão dos itens apresentados acima. NÃO PARTICIPAREMOS DE REUNIÕES POR SEGMENTOS E SETORES. Acreditamos que só o diálogo transparente poderá unir esforços para a preservação e manutenção de 37 anos de história desta escola e destes funcionários.

Postado Fevereiro 24, 2017
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