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MANIFESTO PELA DEMOCRATIZAÇÃO DO MERCADO DA MÚSICA NO BRASIL

MANIFESTO PELA DEMOCRATIZAÇÃO DO MERCADO DA MÚSICA NO BRASIL

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Esta petição foi criada por Erik V. e pode não representar a visão da comunidade da Avaaz.
Erik V.
começou essa petição para
PRODUTORES, COMUNICADORES E CLASSE ARTÍSTICA
Ao ser convidado para a Semana Internacional de Música - SIM São Paulo 2019, escrevemos o "Manifesto pela Democratização do Mercado da Música no Brasil", visando discutir essa ideia tão importante com o público e artistas parceiros. Pela democratização do mercado da música.

Somos um dos países mais violentos e desiguais do mundo. Todos os dias morrem 10 jovens que tem entre 16 e 17 anos. Paraisópolis, Heliópolis, Naval, Coca, Rocinha, CDD, Bom Parto, Boqueirão, e tantas outras favelas confirmam a realidade cruel do jovem no Brasil, mas devemos lembrar que o país como um todo é uma grande zona de conflito, e que esse conflito existe inclusive na
liberdade de escolha do cidadão com relação à música que ouve. Tal liberdade é garantida na Constituição Cidadã de 1988, que tem como premissa básica a participação popular nos processos decisórios. Constituição conquistada por nós e hoje afrontada por membros dos executivos estaduais e federal. Constituição que está sofrendo uma série de ataques no sentido de tornar vulneráveis os mecanismos de proteção às liberdades individuais. Constituição
que é negligenciada, desde sempre, por grandes veículos de comunicação, que insistem em resumir a plural produção cultural do nosso país à um ou dois tipos de expressão apenas; como se as demais formas de expressão do nosso país continental simplesmente não existissem.

O Asfixia Social, como parte do coletivo Da Rua pra Rua, assim como muitos outros artistas Brasil afora, produzem arte nestas zonas de conflito com o intuito de passar uma mensagem que gere um impacto positivo e que estimule que os coletivos locais também produzam sua arte, em especial, entre os mais jovens. Sabemos da importância da cultura para nossa população e da escassez e repressão existentes na periferia. Depois de muitas conversas junto à esses coletivos, apontamos a seguinte percepção:

1. Na maioria das vezes, artistas que atuam efetivamente nessas zonas de conflito - dentro e fora das periferias - não têm espaço em grandes veículos de mídia e eventos Brasil afora, e por consequência disso, não participam efetivamente do “mercado da música”.

2. Por falta desses espaços, estes artistas acabam enfraquecidos e depois
de algum tempo, ignorados e sem perspectiva de crescimento, abandonam
a arte para cuidar da própria subsistência.

3. Os que sobrevivem lutam permanentemente contra a falta de estrutura e
atenção. Com a escassez de recursos, a atuação destes grupos é fragilizada, acontecendo com menor frequência e tamanho, perdendo espaço, então, para os segmentos que têm maior evidência no momento.

4. Assim, a diversidade, pluralidade artística e liberdade de escolha não são
oferecidas à população, inclusive ao jovem de periferia, que em geral consome aquilo que lhe é ofertado.

5. Enquanto isso, reclama-se muito que as classes menos favorecidas só consomem música de baixa qualidade de dois ou três estilos musicais. Porém,
vemos que a maioria das pessoas pertencentes às classes que tecem essa crítica consomem praticamente os mesmos artistas ou segmentos. Só que dentro de estruturas melhores e longe da pobreza, que aqui, sabe-se lá porque, virou sinônimo de criminalidade.

6. Reclama-se muito também do vazio e falta de renovação na música brasileira, dentro e fora destas zonas de conflito. Porém, nenhum ou muito pouco esforço é feito no sentido de resolver os problemas citados anteriormente, que em nossa opinião, são os problemas que geram o vazio e a tal falta de renovação reclamada por muitos.

7. Temos segurança em dizer que com tantos artistas fora do mercado, o
cidadão tem um leque muito menor de opções para escolher e o jovem
de periferia está muito mais exposto a riscos devido à carência de arte, cultura, lazer e entretenimento.

8. Podemos dizer isso com propriedade, ao perceber o impacto do primeiro contato com um estilo musical diferente dos padrões, e a reação de êxtase
de crianças e adolescentes durante os shows de lançamento do Livro-Disco do Asfixia Social em escolas da periferia de São Paulo, bem como para pessoas em situação de Rua na Cracolândia.

9. Podemos verificar também a grande adesão a bailes, orquestras, oficinas e
equipamentos culturais quando ofertados em regiões carentes. Curiosamente, há uma enorme disputa pelas vagas de orquestras jovens das favelas de São Paulo. Segmento musical que convencionou-se dizer que é apenas apreciado pela elite rica.

10. Assim, nosso manifesto é assinado por dezenas de artistas e produtores que entendem a necessidade emergencial de promover a diversidade cultural
e o crescimento de novos artistas, atuantes em zonas de conflitos físicos e culturais. Por mais espaço no mercado da música. Que se amplie os acessos e o ferramental para esses artistas, visando dar maior visibilidade, impulsionar suas carreiras, e fortalecer a renovação musical. Que em pouco tempo nos reunamos e falemos não mais do mercado da música, mas sim dos mercados da música. Que sejamos capazes de abrir novos leques e garantir o direito de escolha para o cidadão e para o jovem dentro de um cenário tão diverso,
como o da música produzida no Brasil. Nosso desafio é propor que essa reflexão seja feita, entendendo a responsabilidade que temos enquanto agentes culturais em eventos de pequeno, médio e grande porte, e o quanto a diversidade é importante em uma sociedade marcada por graves conflitos.
Parafraseando nosso parceiro Bboy Banks, que Deus o tenha, “a nossa
luta é para que os livros e a arte cheguem antes das armas e das
drogas. Toda criança tem o direito de conhecer os livros e a
arte antes das armas e das drogas”.






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