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ANVISA: Aprovação do registro de Guanfacina para TDAH no Brasil

Esta petição está esperando pela aprovação da Comunidade da Avaaz.
ANVISA: Aprovação do registro de Guanfacina  para TDAH no Brasil
  
  

 


Por que isto é importante

São Paulo, 09
de março de 2017.





À Agencia Nacional de
Vigilância Sanitária – ANVISA





Ref: Aprovação do registro de Guanfacina de Liberação Prolongada para
tratamento de TDAH no Brasil




Os profissionais de saúde abaixo assinados, membros e
representantes de Instituições de Ensino, Pesquisa e Assistência a crianças,
adolescentes e adultos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade
(TDAH), assim como pacientes e seus familiares vêm requerer o atendimento à solicitação de registro do fármaco Guanfacina de Liberação Prolongada pela Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).


O TDAH é um transtorno neuropsiquiátrico crônico
caracterizado por sintomas que incluem desatenção, hiperatividade e
impulsividade de início na infância e que traz inúmeros prejuízos em diversas
áreas de funcionamento, nas diversas faixas etárias (1). Atualmente, as
únicas substâncias disponíveis para o tratamento do TDAH no Brasil são os
psicoestimulantes cloridrato de metilfenidato (Ritalina®,
Ritalina LA®,
Concerta®) e dimesilato
de lisdexanfetamina (Venvanse®).

Estudos demonstram que os medicamentos psicoestimulantes são eficazes
em cerca de 87% dos indivíduos com TDAH e que cerca de 13% dos pacientes não
apresentará resposta eficaz a eles e necessitarão de outras opções
farmacológicas (2). Entretanto, não existem opções farmacológicas não
estimulantes aprovadas para o tratamento do TDAH no Brasil, o que leva os
profissionais de saúde a utilizarem substâncias como a clonidina e/ou bupropiona,
medicações não aprovadas pela ANVISA para o tratamento do TDAH e com menos
estudos comprovando eficácia para este fim, ao contrário da Guanfacina de
Liberação Prolongada.

Diversos estudos científicos demonstram que a Guanfacina é
eficaz para a redução dos sintomas de desatenção e hiperatividade, tanto em
pacientes que só apresentam o TDAH quanto em pacientes que apresentam
comorbidades com tiques, autismo, transtorno de oposição e desafio (TOD),
transtorno obsessivo compulsivo (TOC), e síndrome de Down (3,4,5,6,7). Em
pacientes com TDAH associado a tiques e/ou síndrome de Tourette, o uso da Guanfacina
é especialmente importante, pois os medicamentos psicoestimulantes podem piorar
os tiques (11,12). Nesses casos, a Guanfacina é essencial para o
tratamento, pois tem eficácia comprovada para melhorar tanto os sintomas de
desatenção e hiperatividade, quanto os tiques (12). Sendo assim, as
Diretrizes Europeias de Tratamento da Síndrome de Tourette (13) colocam
a Guanfacina como primeira opção no tratamento da síndrome de Tourette.

Outros estudos científicos também têm demonstrado que a Guanfacina
é eficaz para o tratamento de pacientes com outras condições clínicas, tais
como: tratamento de abstinência de opioides; prevenção de recaídas no
tratamento da dependência de opioides (8); agitação e
hiperexcitabilidade no transtorno de estresse pós‐traumático (9); e
agressividade em pacientes com síndrome de Prader‐Willy(10).

A Guanfacina
é um medicamento anti‐hipertensivo que estimula receptores alfa‐2A adrenérgicos, inibe o AMP cíclico
e fecha canais HCN (canais disparados por nucleotídeos cíclicos ativados por
hiperpolarização) potencializando a efetividade do sinal de neurônios
piramidais no córtex pré‐frontal. Dessa maneira, a Guanfacina atua na melhora
da memória de trabalho e na atenção. A Guanfacina contribui também para o
crescimento e maturação das espinhas dendríticas dos neurônios piramidais do
córtex pré‐frontal medial, facilitando o aprendizado e a memória (14).

A Guanfacina está indicada para o tratamento de todos os
quadros em que seja necessário melhorar a atenção e a memória. Atualmente a
literatura científica sobre eficácia e segurança do uso da Guanfacina para
melhorar sintomas de TDAH gira em torno de mil artigos. A Guanfacina de
liberação prolongada é a primeira substância agonista seletiva de receptores
Alfa‐2‐adrenérgicos, cuja aprovação na Europa e nos Estados Unidos foi baseada
em inúmeros estudos que demonstraram segurança e eficácia em curto e longo
prazos em crianças e adolescentes com TDAH.

Portanto, a partir do exposto acima e das referências a
seguir, solicitamos a aprovação do registro da Guanfacina de Liberação Prolongada
pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Essa aprovação permitirá
uma ampliação importante das opções de tratamento de pacientes com TDAH no
Brasil, e representará uma oportunidade para melhorar as vidas desses
pacientes.

Apresentamos abaixo algumas referências mais recentes
comprovando a eficácia e segurança da Guanfacina de Liberação Prolongada (entre
mais de mil artigos científicos) em pacientes com TDAH e transtornos associados.





1. Faraone
SV, Asherson P, Banaschewsky T, et al. Attention‐deficit/hyperactivity
disorder. Nature Reviews Disease, Primers 1, Article number: 15020, Published
online, 6 August 2015.

2. Arnold
LE. Methylphenidate vs. amphetamine: comparative review. Journal of Attention
Disorders, 3(4): 200‐211, January 2000.

3. Focus on Guanfacine Extended‐release: A
Review of its Use in Child and Adolescent Psychiatry.
Elbe D, Reddy D. J Can Acad Child Adolesc Psychiatry. 2014 Feb;23(1):48‐60.

4. Huss
M, Sikirica V, Hervas A, Newcorn JH, Harpin V, Robertson B. Guanfacine extended
release for children and adolescents with attention‐deficit/hyperactivity
disorder: efficacy following prior methylphenidate treatment. Neuropsychiatr
Dis Treat. 2016 May 5;112:1085‐101.

5. Treating ADHD
in Prison: Focus on Alpha‐2 Agonists (Clonidine and Guanfacine). Mattes JA. J Am
Acad Psychiatry Law. 2016 Jun;44(2):151‐7.

6. Pringsheim
T, Hirsch L, Gardner D, Gorman DA. The
pharmacological management of oppositional behavior, conduct problems, and
aggression in children and adolescents with attention‐deficit hyperactivity
disorder, oppositional defiant disorder, and conduct disorder: a systematic
review and meta‐analysis. Part 1: psychostimulants, alpha‐2 agonists, and
atomoxetine. Can J Psychiatry. 2015 Feb;60(2):42‐51.

7. Nash
K, Carter KJ. Treatment
options for the management of pervasive developmental disorders. Int J
Psychiatry Med. 2016;51(2):201‐10.

8. Gowing
L, Farrell M, Ali R, White JM. Alpha2‐adrenergic
agonists for the management of opioid withdrawal. Cochrane
Database Syst Rev. 2016 May 3; (5):CD002024.

9. Belkin
MR, Schwartz TL. Alpha‐2 receptor agonists for the treatment of
posttraumatic stress disorder. Drugs Context. 2015 Aug 14;4:212286.

10. Singh D, Kadakia N, Pinkhasov. Significant
reduction of aggression with guanfacine extended
release in an adolescent with Prader‐Willi syndrome. Am J Child
Adolesc Psychopharmacol. 2015 May;25(4):376‐7.

11. Hollis
C, Pennant M, Cuenca J, Glazebrook C, Kendall T, Whittington C, Stockton S,
Larsson L, Bunton P, Dobson S, Groom M, Hedderly T, Heyman I, Jackson GM,
Jackson S, Murphy T, Rickards H, Robertson M, Stern J.Clinical
effectiveness and patient perspectives of different treatment strategies for
tics in children and adolescents with Tourette syndrome: a systematic review
and qualitative analysis. Health Technol Assess. 2016 Jan;20(4):1‐450, vii‐viii.


12. Egolf
A, Coffey BJ. Current
pharmacotherapeutic approaches for the treatment of Tourette syndrome. Drugs Today
(Barc). 2014 Feb;50(2):159‐79.

13. Roessner
V, Plessen KJ, Rothenberger A, et al. European clinical guidelines for Tourette
syndrome and other tic disorders. Part II: pharmacological treatment. Eur Child
Adolesc Psychiatry, 20:173‐196, 2011.

14. Alamo
C, López‐Muñoz F, Sánchez‐García J. Actas Mechanism of
action of guanfacine: a postsynaptic differential
approach to the treatment of attention deficit hyperactivity disorder (adhd). Esp Psiquiatr. 2016
May;44(3):107‐12.




Postado março 21, 2017
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